sábado, 24 de setembro de 2016

Do interesse da Memória histórica


«O governo da paz (...), o trato dos homens, o comércio das províncias, donde se conserva, alcança e sabe senão pelas histórias (...)» 

Francisco Rodrigues Lobo, Corte na Aldeia, I

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Memória


“O Rei só se justifica como Chefe livre de uma Nação livre. Para que ele possa ser livre, é imprescindível que a Nação o consagre em liberdade, ou por amor da liberdade, como aconteceu com El-Rei D. Afonso Henriques, El-rei D. João I e com El-Rei D. João IV.”

“Por força de uma sucessão dinástica a que me sinto completamente vinculado, achei-me perante deveres recebidos de meu Pai e dos Reis de Portugal, nossos antepassados, que a eles nunca se escusaram.”

“A Instituição Real explica-se por uma dádiva total ao País, para além da existência ou inexistência do Trono.”


Trechos da 1ª Mensagem de S.A.R. Dom Duarte Pio, em Março de 1977

Perspetivas políticas europeias (IV): Cenários



«For many supporters of the European project, the EU has entered “uncharted territory,” and for the first time in its 60-year history, they worry that at least some aspects of EU integration may be stopped or reversed. Others contend that there is a chance that the multiple crises currently facing the EU could produce some beneficial EU reforms and ultimately transform the bloc into a more effective and cohesive entity. Possible future scenarios for the EU include the following:


Muddling Through. The EU would largely continue to function as it currently does, without any significant treaty changes or decisionmaking reforms, and find some degree of common solutions to crises such as those posed by Greece’s economic situation and increasing migratory pressures. The EU would continue to pursue integration and common policies where possible, with or without the UK as a member.


Establishing Two Speeds. The EU would become a two-speed entity, consisting of a strongly integrated group of “core” countries and a group of “periphery” countries more free to pick and choose those EU policies in which they wish to participate. Some analysts suggest that a two-speed EU already exists in practice, with varying membership on a range of EU initiatives, such as the Eurozone, Schengen, justice and home affairs issues, and defense policy. Others suggest that a formal two-tier structure could undermine solidarity and create frictions between “core” and “periphery” member states.


A Looser, More Intergovernmental Configuration. Further EU integration would essentially be put on hold, and possibly reversed in some areas, with sovereignty on certain issues reclaimed by national capitals. This may be most likely should reform-minded euroskeptic parties come into power in more EU countries and if the UK is successful in its bid to carve out additional EU policy exemptions. A looser structure may make it easier for the EU to expand ultimately to include Turkey, the remaining aspirants in the Western Balkans, and other countries such as Georgia and Ukraine.


A Tighter, More Integrated Configuration. The EU would emerge from its current challenges more united and integrated. Some suggest such an outcome could actually be more likely in the event of “Grexit” and/or “Brexit,” leaving a somewhat smaller EU of member states more aligned on the need for further political and economic integration. This configuration would likely not encourage further EU enlargement.»


Kristin Archick (Specialist in European Affairs), TheEuropean Union: Current Challenges and Future Prospects, Congressional Research Service, June 21, 2016



domingo, 18 de setembro de 2016

CPLP com sabor a sal

Paulo Serra Lopes

A CPLP está na sua plena maturidade e deve apontar para objectivos estratégicos mais ambiciosos e conquistar o seu justo lugar na cena geo-política mundial. Deve ser um organismo de peso internacional e não meramente uma associação dos países da lusofonia.
O posicionamento geográfico dos países da CPLP, a sua distribuição por todos os continentes, mas ainda mais relevante a sua distribuição por todos os Oceanos permite uma influência estratégica e um domínio de uma área de Mar que é das maiores do planeta.
O espaço lusófono tem vindo a consolidar presença e relevância no mundo. A criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa representou bem esta ideia de aproximação de Estados independentes com um fim em comum.
As duas décadas de desenvolvimento desta organização e a comemoração neste ano dos seus 20 anos reforçam a ideia da sua criação e legitimam a que se dê um passo maior no protagonismo mundial da CPLP. Está chegada a hora de reclamar nas instâncias internacionais uma competência maior que agrega os países da CPLP para além da lusofonia.
E esta competência é o domínio de uma extensíssima área marítima, porventura uma das maiores do mundo, permitindo assim estender este desígnio do Mar que Portugal tem assumido a uma nova dimensão, a dimensão da lusofonia. Este posicionamento estratégico deve ser encorajado por Portugal e tornar o universo dos países da lusofonia também o universo privilegiado da Economia Azul.
Marcando presença nos vários continentes, da Europa à África, da América à Ásia, o aprofundamento desta relação com o Mar representa ganhos para todos os participantes e uma visibilidade crescente da sua actuação em todas as organizações que têm capacidade de ajudar a talhar para o futuro da Humanidade, a sua relação com os Oceanos.
Será nos Oceanos que o Homem encontrará o seu futuro desenvolvimento e a sustentabilidade que será necessária para a crescente população mundial, que por coincidência terá no Universo da lusofonia, com destaque para o Brasil, uma das maiores taxas de crescimento populacional. Também vários países como o minúsculo Luxemburgo, têm uma crescente população de origem portuguesa, o que fará prever novas potenciais adesões ao universo lusófono da CPLP.
A língua portuguesa é já uma das mais faladas do planeta – e com presença em todos os continentes, agora tenderá a crescer também nos Oceanos.
Portugal foi fundador e é a sede da CPLP. É a única organização internacional transcontinental com sede no nosso país e que agora poderá ser a melhor forma de fazer crescer o prestígio de Portugal e da comunidade lusófona no Mundo. Devemos assim, acarinhar mais a organização e demonstrar o nosso respeito pelo papel que esta pode desempenhar na nossa afirmação na Economia Azul.
As responsabilidades que temos nesta organização é factor necessário e suficiente para que a CPLP tenha condições de dar o salto para uma dimensão maior que consolide o seu estatuto, que lhe confira o reconhecimento internacional enquanto potência de reconhecida história e potencial futuro na exploração dos Oceanos.
É este o desafio do futuro que deveria ser o mote da comemoração do seu vigésimo aniversário: a conquista do seu justo papel nos Oceanos.
Oceanos estes que nos unem, que foram responsáveis pelos descobrimentos, que foram a forma de constituição desta comunidade unida pela língua e agora também pelo Mar.
A comunidade internacional tem de olhar para a CPLP como muito mais que uma mera associação dos Estados que a compõem pela sua língua mas também pelo seu potencial desígnio comum: o Mar.
É tempo da CPLP ser reconhecida por novos valores e impor-se em outros domínios para se criar uma nova era de oportunidades para os seus Estados, para os povos que os constituem e para o futuro da Humanidade. in JEM

sábado, 10 de setembro de 2016

Da Poética dos Mares III


in JEM


Boiar o sonho nesta nação 
única de memória do mar

Depois de um prolongado fenecer das práticas económicas e sociais dos portugueses relativamente às suas atividades marítimas, emerge novamente no pensamento estratégico nacional o mar como desígnio de desenvolvimento socioeconómico, elemento fulcral da nossa geoestratégia do mar, desde 2006, isto é, como fonte de crescimento económico, como meio desenvolvimento social adequado ao País. Poucos anos depois, as cidades viram-se para o mar com seus passeios marítimos, a tecnologia desenvolve-se, começa o direcionamento do investimento para este amplo setor, ganham-se competências de negócio e profissionalização, aumenta a atenção dada pela governança, e a Economia do Mar torna-se visivelmente de social importância relativamente às suas potencialidades para o emprego, quer pela sua dimensão quer pelas competências requeridas, transversais a todos os tipos de qualificação profissional.
O mar identifica-nos como País distinto no seio de uma globalização tendencialmente padronizadora e por suas potencialidades socioeconómicas e culturais podemos encontrar a dimensão, a escala e a profundidade que falta ao território. Contudo, haverá também que gerar esse fator grandeza que não existe na maioria da mentalidade portuguesa. Se já são ensaiados os primeiros passos para a maritimidade da nossa economia, regenerando social e economicamente a nossa imensa varanda oceânica com excelência, monitorizando os produtos e os métodos, ainda falta uma maior difusão tanto da informação das oportunidades (de que o Jornal da Economia do Mar e a recentemente iniciada série documental da RTP «Regresso ao Mar» são exemplo) como também carece a maior difusão das atividades culturais (artísticas, de lazer e desportivas) relacionadas com o mar.
A poesia, geração após geração, não só tem elaborado a leitura do mar nas várias dimensões em que se tem vindo a relacionar com a vida portuguesa, mas também, no seu campo próprio de conhecimento tem conferido e tem acentuado a maritimidade portuguesa, mesmo quando esta teve nas recentes décadas um recuo tremendo nas áreas económicas. A poesia, atividade reflexiva e interpretativa, nunca deixou diretamente de descobrir o mar na identidade portuguesa pela sua linguagem intemporal. O mar é um nosso histórico, por várias razões, não apenas geográficas, culturais e sociais, devido à sua proximidade, mas também, sobretudo, pelo adquirido histórico, na medida em que assinalámos a entrada do mundo europeu numa nova época, enquanto se passou a apresentar o conhecimento do mundo à escala global, encetámos a época dos avanços científicos e tecnológicos europeus que perdurou cerca de quinhentos anos, e a terra voltou a ficar redonda. A rememoração da nossa história permite algumas afirmações constantes na nossa consciência. Abrimos o mar:

(…) fomos abrindo aqueles mares,
Que geração alguma não abriu (...)
Camões (Lusíadas, V, 1572)

Ou, numa outra versão que perdura nos atuais manuais escolares,

(...) Que era dantes o mar? Um quarto escuro
Onde os meninos tinham medo de ir.
Agora o mar é livre e é seguro
E foi um português que o foi abrir.
Afonso Lopes Vieira (Guimarães Ed., 1966-1940)

Abrir é o verbo comum a estes excertos, mas uma abertura que revela o âmago da humana aventura no seu caminho pelo apenas provável. Todavia, além da elevação contínua e sistemática da sofisticação, além da inovação e domínio técnico, que não foram de pouca monta, essa abertura não foi realizada sem sacrifício:

(…) o corpo morto dum herói, primeiro
Cruzado da unidade deste mundo,
No dorso frio de uma onda irada,

Mandou aos mortos, com a mão na espada,
Boiar o sonho, que não fosse ao fundo.
Miguel Torga (Gráfica Coimbra, 1995-1952/1965)

E foi esta afirmação além do individual, esta tenacidade além do limite humano da mortalidade, incluíndo o projeto pessoal num desígnio transgeracional, numa marca institucional ou nacional, é ainda hoje o único sentido que nos pode orientar a realizar caminho além das possibilidades já configuradas, insistindo em memória e progresso.
As possibilidades ou oportunidades abrem como fecham-se e são contrárias por natureza aos ismos ou à estabilização. Apenas os objetivos políticos nacionais e o concomitante desenvolvimento de competências permanecem como pontes ao mundo futuro. No dizer do poeta, não há alma mais poderosa senão aquela que se constitui pela procura, processo cujo desfecho é sempre representado num mundo novo:

No mundo dos que gritam
Há uma alma mais poderosa
Mais chorada pelo povo
E saudosa.
A sua arte é a busca do mundo novo.(...)
Miguel Torga (Gráfica Coimbra, 1995-1952/1965)

E esta procura do novo, humana realização na incerteza do possível, fosse realizada no passado ou a que realizamos diária e constantemente, é para nós historicamente simbolizada pela viagem no Tenebroso. Tratou-se e trata-se ainda de unir a certeza do já dado ao mundo que nos está em falta, o conhecido ao desconhecido, pois da certeza pela incerteza é feito o caminho da aventura humana:

(...) Era o resto do mundo que faltava
(Porque faltava mundo!)
E o agudo perfil mais se aguçava,
E o mar jurava cada vez mais fundo.

Sagres sagrou então a descoberta
Por descobrir:
As duas margens da certeza incerta
Teriam de se unir!
Miguel Torga (Gráfica Coimbra, 1995-1952/1965)

Historicamente e ainda hoje, para nós, não fora o mar, pouco mais haveria a continuar:


(...) Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.
Fernanda de Castro (Império, 1941)

A série de acontecimentos históricos só toma sentido por interpretações, ações e consequências além do seu presente factual. O Pinhal de Leiria é aumentado por D.Dinis (1279-1325) já com intenção marítima, depois de plantado por D.Sancho II e D.Afonso III. Este aumento tornou possível a capacidade - pioneira - de se adquirir gratuitamente a madeira para a construção de navios de grande porte, de modo a fazer aumentar as trocas comerciais com o exterior, contudo, sendo o pinhal sempre renovado na medida dos cortes então efetuados. Nesta abertura da possibilidade marítima, tão cedo elaborada em relação à Europa, fomos também os primeiros seguradores marítimos do mundo, com a Bolsa de Mercadores (1293) com D. Dinis e depois com a associação mutualista Companhia das Naus (1380) no tempo de D. Fernando (1367-1383). A inovação técnica acompanhará também a construção naval, exemplo disto é a Caravela Redonda, resultado da informação recolhida pelos portugueses com objetivos de melhoramento das suas possibilidades de marinharia face aos ventos que foram encontrando. Em 1864 D. Luís criou o Domínio Público Marítimo (DPM). Estadista e homem de ciência, há 150 anos teve o sonho de tornar Portugal num HUB dos transportes marítimos europeus, desenvolvendo uma rede ferroviária desde o coração da Europa até aos portos portugueses, e uma frota que assegurasse a distribuição de pessoas e mercadorias para África e América do Sul.
Não bastasse estas e outras vanguardas portuguesas relativamente aos assuntos do mar, a nossa relação com o mar elaborou contributos civilizacionais singulares, socioeconómicos e culturais, e justamente nos atribuem a primeira onda da globalização, na expressão indiana, a era gâmica. É, pois, nesta dimensão consciente e histórica que a poesia em Portugal, quando se liga ao mar acontece de forma única, como seu próprio símbolo e metáfora. A evidenciação desta pertença, marítima e poética, adquire na expressão de Natália Correia uma interpretação magistral:

Sou filha de marinheiros
pelo mar que também quis.
Pela linha da poesia
sou neta de D.Dinis.(...)
Natália Correia, (Dom Quixote, 2013-1954)

Pelo mar que também quis não pode ser uma expressão colhida apenas literalmente como a sua viagem voluntária efetuada de Ponta Delgada (Açores) a Lisboa, mas de modo a procurar a plenitude metafórica da poesia terá de ser esse mar que também quis, o mar que é abertura e horizonte em que se elaboram as humanas navegações por um desconhecido a descobrir. E nisto, continua a sobressair um símbolo inconfundivelmente de valor universal, a da alma em constante procura de um mundo novo. Como diz Miguel Torga, essa alma mais poderosa, que abre as possibilidades novas.
Saibamos ultrapassar o tempo conjuntural por determinação política, institucional e nacional, e construir incessante e sistematicamente uma Economia do Mar, como fizemos Boiar o sonho, que não fosse ao fundo. Assim, na nossa evidência histórica, seremos como fomos, na vanguarda e na identificação coletiva,


(...) uma nação única de memória do mar,
que não responde senão em nós. (…)
Fiama Hasse Pais Brandão (Relógio D'Água, 2000).

sábado, 3 de setembro de 2016

Perspetivas políticas europeias (III)




«(...) fica tudo misturado no atual caldo de medo europeu, agitado por demagogos da política e dos media: o cidadão migrante da UE, inteiramente legal, o migrante ilegal de fora, o mei-migrante-económico- meio-refugiado político (…), o refugiado político clássico (…), o muçulmano e o terrorista. Há uma espécie de continuidade imaginária que vai do canalizador polaco ao bombista suicida (…).» 

Timothy Garton Ash, «Os muros estão a ressurgir: é 1989 ao contrário», in The Guardian apud Courrier Diplomatique (versão portuguesa)


sábado, 27 de agosto de 2016

Perspetivas políticas europeias (II)


«(...) a Europa deixou de poder considerar-se “a luz do mundo” (...) não acertou na governança da plataforma da União, dividiu-a entre ricos e pobres, fez crescer o desamor europeu, viu reaparecer as ambições das pequenas pátrias, e renascer a inquietação dos Estados-Nações (...)»  in Prefácio de Adriano Moreira à "Via Lusófona II" de Renato Epifânio

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Perspetivas políticas europeias (I)





«De que política falamos (...)? Da que está expressa nas chamadas “regras europeias”, verdadeiro programa de estagnação, na melhor das hipóteses, e portanto, a prazo, de recuo do País para uma cada vez maior dependência externa e periferização, sem efectiva melhoria das condições de vida da maioria dos portugueses. (...) O impasse da política portuguesa é apenas este e este “apenas” é gigantesco: se quem manda hoje na Europa, a aliança da Alemanha com alguns países do Centro e Norte da Europa, continuar a impor as mesmas políticas de “ajustamento”, que hoje são criticadas até pelo FMI…, não aceitar proceder a uma mudança que passe pela reestruturação das dívidas, pela baixa dos juros, pela maior flexibilidade na gestão dos défices, por políticas de investimento, e pela solidariedade activa dos países mais ricos com os mais pobres, na tradição dos fundadores da União, nem Portugal, nem a Europa sairão dos impasses actuais.» JPP

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Globalização (Controvérsias)

Joseph Stiglitz

«O falhanço da globalização, quanto ao cumprimento das promessas dos políticos tradicionais, certamente que minou a confiança no “sistema”. E as generosas ofertas de resgates dos governos aos bancos que provocaram a crise financeira de 2008, enquanto os cidadãos normais tiveram em grande parte que se desenvencilhar sozinhos, reforçou a opinião de que este falhanço não teria sido apenas uma mera questão de equívocos económicos.» in Estátua de Sal 
Alessio Terzi
«Because globalisation, combined with technological innovation, seems to be augmenting agglomeration effects within Europe, a case could be made for substantially expanding the funding of these instruments, while at the same time ensuring their local take-up and good use. Ultimately, if the ‘losers of globalisation’ turn against the European project, this will have repercussions for the whole Union and, as such, the heavy-lifting cannot be left only to national policies and welfare states.» in bruegel blogue


sábado, 20 de agosto de 2016

Artes


Andei d'aquem pera além;
vira terras e lugares,
tudo seus avessos tem;
o que não espermentares
não cuides que o sabes bem;
e às vezes, quando cuidamos
que experimentado o já temos,
à cabra-cega jogamos;

Sá de Miranda, excerto in «Écloga Basto», Poesias, Lisboa, 1595

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Frases

Helena Garrido
«É preciso começar a pensar livremente no que é melhor para o país. Porque nos tempos que correm parece que perante um menu de soluções para os nossos problemas se começa primeiro por estudar o que é que vai ser percepcionado como sendo de direita e de esquerda. Só depois, conforme o preconceito de cada um, se vai ao cabaz da esquerda ou da direita.

No estado de urgência em que estamos é melhor sermos mais pragmáticos. Pensar menos em eleições e mais em soluções que ponham de facto o país na rota do crescimento. Confiança é a palavra chave.» in Observador

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Cadernos Economia do Mar

in JEM

Mar: um panorama alargado onde Portugal que tem todas as condições para ser, efetivamente, líder mundial. Tem uma das maiores áreas marinhas e uma das mais ricas biodiversidades do planeta. Começa a ter algumas das mais inovadoras empresas do mundo na área. Tem empresários para continuar a desenvolver-se. Falta, é certo, alguma capacidade de investimento, mas isso também é ultrapassável, como todos esperamos que, de facto, seja.                                
                      apud Jornal da Economia do Mar



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Estação (Verão)



«(...) Vou voltar para os papéis velhos, o meu oceano, a minha praia, o meu mistério. (...)» JPP

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Arte pelos trópicos: pensando nos Jogos Olímpicos - Brasil

Kelly Framel (dir.criativo)


O nosso aparelho institucional moderno foi fundado na monarquia


D.Afonso de Bragança
(Ajuda, Lisboa, 31 de Julho de 1865 — Nápoles, 21 de Fevereiro de 1920) 
«(...) Militar, diplomata, agente de progresso e entusiasta das engenharias (...) [a] ele ficou também o país a dever o incremento que deu à constituição dos corpos de bombeiros voluntários, ainda hoje uma das mais significativas expressões do serviço à comunidade. Foi, também, fundador do Automóvel Club de Portugal. É tempo de desrepublicanizar a historiografia e repor nos pedestais aqueles que verdadeiramente serviram o Estado, a nação e o povo. (...).» in Real Família Portuguesa (ver também acerca do assunto aqui).

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Afirmação da robótica nacional





«O Exercício REP 16, contando já com sete edições, foi, uma vez mais, uma oportunidade única para a afirmação internacional das capacidades da robótica nacional.»

                                                           in JEM

Mar

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Frases




«(…) conssiirando o que lii do coraçom do homem, que he semelhante aa moo do moynho, a qual botada per força das auguas nunca cessa de seu andar, e tal farinha dá como a ssemente que moe.»
                                                          D.Duarte I (1391-1438)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Aspeto de um perfil português e campeão

Ver AQUI

ExCertos


«A segurança no mar tem sido uma prioridade para os órgãos locais da DGAM – as Capitanias dos Portos – que existem há mais de 2 séculos e que têm desempenhado um relevante serviço público, quer como conservatórias do registo de embarcações e de marítimos, quer na prevenção e reparação dos acidentes marítimos, através das vistorias periódicas de manutenção e de ações de busca e salvamento.»
                                in António Ribeiro Ezequiel



terça-feira, 12 de julho de 2016

Não estamos longe de outra crise


É importante recordar que, com a grande depressão de 1929/39, todo o sistema capitalista se desmoronou. A crise económica alastrou por todo o mundo civilizado, estimulando o autoritarismo, o internacionalismo soviético e, em réplica, os fascismos. Possamos prevenir.
              

segunda-feira, 11 de julho de 2016

sábado, 9 de julho de 2016

ExCertos


Fotografia de Augusto Bobone, 1885

Em 1864 D. Luís criava o Domínio Público Marítimo (DPM), um Estadista, um homem de ciência, apaixonado pelo conhecimento científico, que reconheceu a soberania pelo conhecimento. Há 150 anos tinha o sonho de tornar Portugal num HUB dos transportes marítimos europeus, desenvolvendo uma rede ferroviária desde o coração da Europa até aos portos portugueses, e uma frota que assegurasse a distribuição de pessoas e mercadorias para África e América do Sul. Ainda estamos recuperando esta ideia, este desígnio.
apud Manuel Ara de Oliveira

Brexit: a culpa é da esquerda.



«Instead of vilifying (and verbally neutralizing) the populists as fascists and racists, and their voters as deluded and stupid (or racist too), we had better learn from them while scaling up the fight against them. The successes of the right are the failures of the left. More precisely: our failure is to have insufficiently realized that, like the populists, we need to move to some extent ‘beyond left and right’. Certainly not in order to copy them or to repave the Third Way, but instead to restore social democracy’s time-honoured mission: to realize redistributive justice and provide social protection to the casualties of globalization.»
DickPels  in  Social Europe

quinta-feira, 7 de julho de 2016

História e Revolução


Entendem algumas ideologias (presentes) que a história tem um motor independente da ação humana, pessoal e institucional. No passado, com autoritarismo e violência, operaram ruturas (e operarão se lhes for possível) visando impor uma ordem ideológica pela força e pela demagogia, apresentando-se como momento de um processo histórico inevitável e como interpretação que a si mesma se refere como última, senão mesmo final. Ao contrário defendeu Agostinho da Silva, Não haverá movimento definitivo para a Humanidade enquanto esse movimento novo aparecer como inovador, enquanto o que pretende ser revolução final, se apresentar como revolucionária. (As Aproximações, Relógio d'Água, 1990).






segunda-feira, 13 de junho de 2016

Increasing the money supply (CGD)


The eventual winding up of the European Central Bank's massive bond-buying programme will create problems for highly indebted euro zone countries such as Italy and Portugal, the Greek finance minister said on Thursday. Euclid Tsakalotos warned that their borrowing costs could surge when the ECB ends the now 80-billion-euro-a-month stimulus programme it launched in January 2015 and which has driven down sovereign bond yields across the euro zone. "Quantitative easing has problems and will not last forever" (...) The ECB has pledged to maintain its stimulus programme until March 2017, and possibly beyond, to counter ultra-low inflation in the 19 countries of the currency bloc. "It is very important that we remember that when QE does finish there will be a lot of economies that are now high-debt economies that will have a problem," Tsakalotos told the Brussels Economic Forum"Interest rates of Portugal or Italy now reflect the fact they have got QE." Greece has so far not been a beneficiary of quantitative easing, but it aims to join the programme soon after the conclusion of a reform review under a bailout programme negotiated with euro zone lenders. (Reuters, Reporting by Francesco Guarascio; Editing by Catherine Evans) 09, Junho, 2016 
Quantitative easing (QE) is a monetary policy used by central banks to stimulate the economy when standard monetary policy has become ineffective. A central bank implements quantitative easing by buying financial assets from commercial banks and other financial institutions, thus raising the prices of those financial assets and lowering their yield, while simultaneously increasing the money supply.This differs from the more usual policy of buying or selling short-term government bonds to keep interbank interest rates at a specified target value.

domingo, 5 de junho de 2016

Poesia


Lisboa em cenário de verão

Forte sol e cigarra
Seco pleno céu
Horta, vegetal alinho
Verde jardim de laranjeira

Luz e sombra generosa
Água líquida movente
Perfeita redonda linha
Esquadria útil infinita

Mármore janela armada
Cor natural e sóbria
Arvoredo e vigorosa planta
Gente sossegada ou lamentosa

14/15Set2011

Poesia

João Pedroso, 1877
O mar azul se encrespa 
Coa vespertina brisa, 
E no casal da serra 
A luz já se divisa. 


Alexandre Herculano, «AVoz» (excerto),  
in A Harpa do Crente

quinta-feira, 2 de junho de 2016

ExCertos



«Acredito profundamente na Monarquia, na instituição Real como a solução mais civilizada para a chefia dum Estado europeu e quase milenar como o nosso. Num tempo de relativismo moral, de fragmentação cultural e de enfraquecimento das nacionalidades, mais do que nunca há urgência numa sólida referência no topo da hierarquia do Estado: o Rei, corporização dum legado simbólico identitário nacional, garante dos equilíbrios políticos e reserva moral dum povo e seus ideais. O Rei, primus inter pares, é verdadeiramente livre e, por inerência, assim será o povo.»
João Távora, Liberdade 232, Aldeiabook, Abril de 2013, pág.104

ExCertos

João Carlos Tavares

«(...) [A] vigilância laica que a esquerda dedica ao catolicismo transforma-se em paixão multicultural (...).» in Público


terça-feira, 17 de maio de 2016

Redução do horário de trabalho: conclusões de uma experiência real, ao fim de um ano de jornadas laborais de seis horas diárias


visao.pt

Redução do horário de trabalho resulta em maior produtividade para a empresa e em mais tempo livre para o trabalhador. Parece um contrassenso, mas são as conclusões de uma experiência real, ao fim de um ano de jornadas laborais de seis horas diárias. Sem perdas no salário. Há um ano, 68 enfermeiras aceitaram o papel de "cobaias" num lar de idosos de Gotemburgo, a segunda maior cidade da Suécia. O governo queria saber se a redução do horário de trabalho de oito para seis horas, opção já seguida por algumas empresas privadas no país, proporcionaria apenas mais tempo livre aos trabalhadores ou também efeitos positivos na sua produtividade. Segundo as conclusões agora apresentadas, as duas ideias casam uma com a outra. As enfermeiras que participaram na experiência de trabalhar menos horas por dia, sem alterações no salário, mostraram-se 20% mais felizes do que as de um grupo de controlo com responsabilidades idênticas, mas com oito horas de trabalho diárias. As primeiras faltaram metade das vezes por baixa médica e precisaram de menos pausas para descansar, além de revelarem uma energia maior. Essa disponibilidade física permitiu-lhes realizar mais 64% de atividades com os idosos, quando comparadas com as enfermeiras obrigadas a uma carga horária mais alargada. "Isto significa cuidados prestados de maior qualidade", destacou Bengt Lorentzon, um dos responsáveis pela coordenação do projeto, à agência de notícias BloombergA ideia de uma jornada laboral de seis horas já tinha sido experimentada na função pública da Suécia, mas, como não ficou comprovada a eficácia da medida, foi interrompida em 2005. No setor privado, desde o início deste século que a sucursal da Toyota em Gotemburgo aderiu às seis horas de trabalho diário e a agência Brath, especializada em marketing digital, segue os mesmos passos. Magnus Brath, o fundador, diz no site oficial da empresa que a iniciativa lhe permite "contratar e segurar os talentos", pois "assim que os trabalhadores se habituam a ir buscar as crianças à escola ou a cozinhar um bom jantar, não vão querer perder isso outra vez". Este patrão sueco garante que a produtividade aumentou e acredita que a preocupação com o bem-estar dos seus funcionários está na base do sucesso da Brath, que desde 2012 tem vindo a dobrar os lucros de ano para ano. No estudo realizado no lar de idosos, não foi contabilizado o aumento de custos para o empregador, neste caso o estado, que foi obrigado a contratar mais 15 enfermeiras para compensar a redução da carga horária. Rui Antunes in Visão